Num tempo em que a juventude se tornou o sentido único e o único sentido da vida humana, é ainda possível ser cristão? Que espaço resta para o Evangelho na era do triunfo de Peter Pan?
Duas questões bem desafiantes que Armando Matteo enfrenta neste seu livro, que o Papa Francisco ofereceu como presente natalício no Vaticano: «Para ler, não para deixar na biblioteca», recomendou.
O ponto de partida do autor é claro: Peter Pan triunfou. Triunfou no coração dos adultos, homens e mulheres, do nosso tempo, anestesiou o seu senso de proximidade e responsabilidade, convencendo-os de que fora da juventude não há salvação. E isso pressiona-os, dia após dia, a não poupar energia para permanecer jovem a qualquer custo. Foi isto que o tempo da pandemia nos revelou plenamente. E o caso grave que os crentes devem enfrentar, corajosamente, é este: a conversão juvenilística das gerações adultas, que relega para o sótão a categoria do crente não-praticante e torna as igrejas cada vez mais vazias. A verdadeira conversão consiste em reconciliar os adultos com um cristianismo à altura do desafio da hora presente.