Este livro de contos procura ser um testemunho das artes e ofícios de um país rural esquecido do século XX. Numa época, anos cinquenta, em que tantos portugueses emigraram por falta de pão, outros ficaram, e nem o peso da enxada lhe desfaleceu o braço. A atmosfera que o autor quer mostrar é a região de Trás-os-Montes, o interior mais afastado dos corredores do poder. Ali fala-se uma linguagem para a qual nem sempre temos ouvidos, e respira-se aquilo a que alguns autores apelidaram de genuíno e, ao mesmo tempo, rude, mas de uma autenticidade tocante. Retrata homens e mulheres curtidos pelo trabalho, pela paixão que os obriga a transpor todas as violências de uma vida dura e de um colchão severo. Cada conto, debruado pela ficção, guarda, numa redoma de ausências, os lugares amados que a erosão do tempo teima em apagar. Porém, o autor quis deixar este depoimento, sem medo das palavras nem da nudez dos factos.