Como o Céu à Espera de Trovoada reúne uma poesia intensa, feita de escuta atenta do mundo e de uma rara capacidade de o transformar em linguagem viva. Nela encontramos criatividade, sentimento e uma força que não se impõe, mas se revela — como o céu carregado que anuncia, silenciosamente, a tempestade.
A autora observa com lucidez tudo o que a vida abrange: os gestos pequenos, as inquietações profundas, as contradições do tempo presente. E é nesse olhar, simultaneamente sensível e crítico, que a poesia ganha corpo e ressonância.
Há nestes poemas uma tensão latente, uma espécie de energia acumulada — como se cada verso fosse um prenúncio. E, quando finalmente se manifesta, essa trovoada não destrói: ilumina. Atinge-nos, sim, mas para nos despertar.