No auge do prestígio literário, enquanto monstro sagrado do modernismo brasileiro, Mário de Andrade leu ao acaso, numa noite de insónia de 1942, um livro de contos enviado por um autor desconhecido. A seguir, escreveu-lhe com franqueza: se está rodeando os 20, de 20 a 25, como imagino, lhe garanto que (...) você promete mesmo. Na altura com apenas 18 anos, o autor desconhecido, Fernando Sabino, recebeu estas palavras com um imenso entusiasmo e respondeu-lhes emocionadamente, dando origem à correspondência que aqui reproduzimos e se prolongou até 1945, ano da morte de Mário de Andrade. As cartas deste valem como um depoimento precioso sobre a dimensão apostolar de um grande escritor. E a sua influência sobre a formação intelectual de Sabino, antes de ele se tornar consagrado, constitui um roteiro magnífico para quem se deseja iniciar nos mistérios da criação literária.