Goliarda Sapienza (1924-1996), romancista e poeta, é um dos espíritos mais livres e insubmissos da literatura italiana do século XX. Oriunda do meio anarquista siciliano, cresceu no seio de uma numerosa família militante e antifascista. Educada em casa e no abandono feliz das vielas de San Berillo, no cinema do bairro e nas olorosas osterias, entre o aroma dos mexilhões temperados com limão, troca a Catânia por Roma, em 1941, onde ingressa na Academia de Arte Dramática. Atriz em filmes de Visconti e Maselli, viveu na clandestinidade quando a guerra eclodiu, conheceu hospitais psiquiátricos, depois de várias tentativas de suicídio, e, em 1980, a prisão. Na obra que nos legou, tão intensa como a sua biografia, destacam-se Carta Aberta, publicado na Antígona, e o romance A Arte da Alegria. Alimentava-se da dúvida num mundo que apregoava certezas e sempre se regeu pelo inconformismo e pela máxima liberdade.(...)