«Nada sei da história deste livro, que tem mais ou menos a minha idade. Sei apenas que é um livro maravilhoso, escrito a seis mãos sobre oito bichos e uma estrelinha, que é uma espécie de bichinho no céu, porque tem, assim me ensinaram, luz própria e cintilante. […]
Se os poemas são de uma imaginação mágica, a verdade é que são também as ilustrações de Júlio Pomar que tornam este livro único e precioso e que justificam plenamente esta ressurreição editorial. Para aqueles que se têm debruçado sobre a obra de Pomar e, especialmente, sobre a sua trajectória evolutiva, este Pomar, inocente e menino de há quase sessenta anos, nunca chegou a morrer e nestas ilustrações está, na sua forma mais pura, o seu genoma de artista: a capacidade de, com três traços, criar uma figura e, com dois ângulos desencontrados, assoprar-lhe movimento, de colorir com um plastron monocromático o peito de um papagaio, aqui verde e logo a seguir amarelo, de dar corpo de menina de vestido estrelado à estrelinha miudinha, de recortar um cão em duas poses, de plantar flores no ar com pétalas soltas ao vento, de tornear o sapo com repugnantes verrugas, de representar o grilo com dois pares de braços de pose imperial e um par de pernas peludas, de ratar uma folha de alface por uma multidão faminta.»