Áurea é a biografia romanceada de Raquel Barbosa, bisavó da autora, menina transformada à pressa em mulher, pela imposição de um casamento arranjado. Nascida no Pará, no dia em que a Lei Áurea aboliu a escravatura no Brasil, o seu nome foi escolhido pelo pai, acérrimo defensor de todas as liberdades, em homenagem a um dia tão auspicioso.
Memória de uma época abrangente (desde meados do século XIX às primeiras décadas do século XX), vivida entre Viana do Castelo, o Porto e o Pará, Áurea retrata-nos um percurso, ao mesmo tempo, individual e coletivo, onde os condicionalismos da condição feminina, na burguesia esclarecida, sufocam os sonhos individuais.
Paralelamente à ação da família e ao abandono do marido, Áurea sofre a força da História com os seus determinismos, mudanças, dificuldades e injustiças, impostos pela ascensão e declínio do ciclo da borracha, de duas guerras mundiais e da ascensão do salazarismo.