Tendo passado boa parte da vida em reformatórios e penitenciárias do estado de São Paulo, Luiz Alberto Mendes conta a experiência que o levou à
escrita e ao trabalho voluntário, e também mostra como encontrou nas amizades e nas relações amorosas um antídoto contra o desespero. Às cegas,
nova obra do autor de 'Memórias de um sobrevivente', acompanha um período que vai de sua aprovação no vestibular de direito, em 1982, às suas
primeiras tentativas literárias, já nos anos 90. Em nenhum momento Mendes se apresenta como vítima. No entanto, não deixa de mostrar as
engrenagens de um sistema carcerário brutal, montado para dificultar ao máximo o caminho de quem espera por uma segunda chance. Uma história tão
trágica quanto a de 'Às cegas' deixa pouca margem para a esperança. No final da leitura, contudo, fica o retrato de alguém que procurou uma saída
possível em meio à descida ao inferno.