No seu terceiro número, a Argos afirma-se como uma revista singular de museologia marítima. O projecto editorial nasceu da dinâmica de projecto do Museu Marítimo de Ílhavo, instituição que continua a assumir responsabilidades ousadas no campo da cultura marítima. Propositadamente, a Argos navega em águas internacionais. Pela simples razão de que o conhecimento dos museus deve ser multicultural, ainda que os museus do mar sejam muito diversos entre si. A Argos também navega em águas portuguesas. Embora o campo institucional da museologia marítima não exista em Portugal, importa construir redes, partilhar os melhores projectos, exaltar as experiências mais incrustadas nas comunidades e destacar as organizações que mobilizam conceitos criativos em torno dos patrimónios marítimos.
O presente número da Argos segue estas correntes e salienta o que se faz no Museu Marítimo de Ílhavo, sobretudo à volta da recriação imaterial do seu extraordinário património da pesca do bacalhau, a marca de água de um museu que, à semelhança do Oceano, tem os seus marcos, mas não conhece fronteiras.