Já muita gente disse certamente que a vida parece uma valsa, uma valsa que, nas palavras do poeta José Pacheco de Andrade, é de falsa / ilusão (…). O próprio poeta nos explica essa simbiose entre valsa e vida, mencionando os momentos por onde perpassa cada vida como passos da dança: "Percebe-se / então / qual é a / verdade: / emprego, / trabalho, / cansaço, /tormento, / juntando / à mistura /amor,/ casamento. (…) / e vêm / os filhos, / sarilhos / dobrados. / e vem / a doença / com cheiro / a finados. (…) / o que é / que ficou? / Vazio... / Saudade... / e um fundo / receio / da eternidade." (in Salpicos de vida,).
É, pois, uma espécie de valsa que Ascensão Lopes nos traz nesta sua colectânea de contos, em que cada conto é um passo dessa valsa da vida: amores e separações, filhos e pais, trabalhos, negócios… e uma antecâmara do fim num qualquer Lar S. Pierre, antes que a fita termine e a escuridão eterna chegue.
Por mais valsas que dance, ou não dance, a vida é aquela valsa que todo o ser humano terá de dançar.