V E N E R A Ç Ã O
Aquela que na vida foi rainha,
Deixou-nos na memória, como povo,
A força dum milagre que, por novo,
Foi belo, por porvir donde provinha.
Se muitas são as rimas e as prosas
Que cantam feitos grandes da Nação,
São poucas as que contam como o pão
Surgiu, do seu regaço, feito em rosas.
E porque foi chegada a sua hora,
Em terra coimbrã descansa agora,
Bem junto às calmas águas do Mondego.
E o rio, que se espraia na cidade,
Venera, nesse atraso, com saudade
A Santa, que repousa no segredo.