Gabriel Oliveira vive — ou tenta viver — entre momentos e decisões infantilizadas que muitos considerariam trágicas na sua falta de propósito. Talvez até ele próprio, a certo ponto. Preso a dias vazios que se repetem para testar o limite do seu cansaço emocional, Gabriel sente que as horas lhe escapam entre os dedos, e a vida parece-lhe pequena demais para o que ele não sabe se deveria sentir. o que é ser feliz, na verdade?
Quando novas presenças se atravessam no seu caminho e influenciam a sua relação com a ideia de viver uma vida válida, percebe que amar tem um papel dolorosamente profundo nessa mesma ideia. Entre perdões e remorsos, é obrigado a olhar-se ao espelho e encarar o que sempre evitou: o simples desespero de existir — e a estranha lucidez que dele nasce.
A solidão e a culpa acumulam-se como ferrugem nas dobradiças de uma porta fechada. E ninguém sabe se terá coragem de forçar a entrada numa vida em que sofrer é condição necessária à paz que se procura.