Os seus grandes olhos abertos fixavam-me através do saco Virgin Megastore - eu escolhera um saco Virgin Megastore. O plástico translúcido fremia suavemente em frente da sua boca e embaciava-se, colava-se às suas narinas. Depois, o ruge-ruge amarfanhado parou - foda-se. Está feito.
Acabado e inacabado.
E isto: Moi, je suis intact, et ça m'est égal.
Sou Sid Ali B. o assassino dos sacos de plástico. No final do último século, neste Inverno, o meu nome apareceu num dos jornais diários. Não, apenas a inicial do meu apelido - a lei assim o exige: eu era menor à altura dos factos. Mas o meu primeiro nome por extenso. E o meu presumível retrato, a lápis, com boné e sem boné, a preto e branco ou a cores, em papel ou no ecrã, no telejornal. Entre a maré negra, o bug, as árvores centenárias arrancadas pelo vento e o grande medo do milénio... «O criminoso mais procurado do Espaço Schengen.» Mas o meu advogado relembrou que eu era presumível inocente. E eu já não me reconhecia senão nesses retratos-robô contraditórios que se tinham sucedido no início da caça ao homem, todas essas trombas medonhas, de jogo de massacre. É que, para todas as pessoas, todos os beurs são iguais, todos têm um ar suspeito. Ou todos os beurs são robôs. Ou são todos monstros. Assassinos em potência. Inacabados ou acabados. E metem medo. Sim.