A crise desta cidade e o seu abandono pela população tem datas e razões objectivas que comprovam a desatenção, a inércia e a tolerância para com políticas (ou falta delas) que conduziram ao declínio e quase auto-implosão do Porto. Directa ou indirectamente, inúmeras crónicas deste livro expressam a preocupação (e a atenção, misturada com um sentimento de revolta e frustração) votada ao assunto.
Aqui ficam a cidade e a sua gente. A minha gente. Com os seus sonhos activos e alguns dos seus sonhos traídos. Expectativas projectadas no amanhã e celebração do passado quando vale a pena e tem sentido evocá-lo. Com o coração ao pé da boca, como convém a um apaixonado pelo quotidiano, estas são as crónicas de um tripeiro que recusa - mesmo nos anos de chumbo que o Porto atravessou - a indiferença e, ainda mais, a apatia.