Vieira perturba os seus compatriotas de hoje pelo fracasso
pessoal nas lutas que travou em prol dos princípios
universais da liberdade e dos direitos humanos, que
continuam a não ser reconhecidos, pela denúncia da
corrupção que mina ainda as sociedades contemporâneas,
pelo baixo perfil produtivo dos seus compatriotas, que não
melhorou desde então, pela inveja que paralisa e destrói a
ousadia dos poucos corajosos, ontem como hoje, pela
ganância dos poderosos que continua a não ter barreiras,
pela impunidade dos protegidos do poder que continua a
desafiar as regras mais elementares da justiça, pelo
desprezo votado aos desprotegidos, hoje como ontem
vítimas de discriminação, pelo baixo perfil moral dos
funcionários públicos que não melhorou desde o tempo
daqueles sermões do Maranhão e de Roma, pela
rudimentar instrução e pela incompetência dos
responsáveis pela governação, incapazes de criar
mudanças estruturais adaptadas às reais necessidades
básicas dos cidadãos,pelo roubo,pelo desperdício, pelo
egoísmo, pela hipocrisia, pela insolência e pela vaidade
dos privilegiados, que ele sempre denunciou ao longo de
toda a sua vida, pela ingratidão da pátria para com os seus
filhos mais dedicados,os do passado como os do presente.
Hoje como no seu tempo é lapidar o desabafo: Não me
temo de Castela,temo-med esta canalha.