Escrever é atormentar-nos. Se não for isso, não vale a pena. O mais profundo, o mais verdadeiro em nós, é aquilo que escondemos e aquilo que se esconde de nós. É isso que é preciso sondar. Se quero continuar a viver, tenho que esquecer. Esquecer que sou velho, que fiz algum mal, que não fui amado quando mais precisava. Se quero viver mais uns anos, tenho de continuar a procurar o que sempre procurei: janelas que se abrem sobre o que está e o que não está; paisagens e rostos que lavam os olhos, recompensas que só pensamento proporciona.