As palavras sobrepõem-se a qualquer idioma, dialeto ou outro linguajar, sendo forma e conteúdo, podendo o seu significado traduzir, antes de mais, a necessidade de nos fazermos entender, de comunicar. e ao termos presente uma abordagem tão ampla, mesmo no silêncio são as palavras que ganham sentido, na ausência a que se querem devotadas, para melhor exprimirmos uma vontade deliberada de não fazermos uso das palavras.
As palavras foram criadas, evoluíram e continuarão a satisfazer a invenção dos que, não as achando próprias para a decifração das coisas e dos lugares, das relações e dos sentimentos, enfim de tudo o que a vida se faz e do que se pensa ir além da vida circunscrita ao bem terreno, procuram a palavra que traduza ou melhor identifique pelo nome ou na expressão procurada.
E nessa marcha de aperfeiçoamento, para além de se reduzirem à função para que foram criadas, as palavras têm movimento, têm cheiro, têm voz que é preciso descobrir, porque a voz faz parte intrínseca da palavra, melhor, é a essência da palavra.
Seria lugar-comum referir que, não em raras línguas e dialetos, a entoação dada às palavras as fazem ser diferentes no sentido e na substância, correspondendo a variados estados de alma. Aí tanto mais se faz sentir a voz das palavras.
E que melhor para sentir a voz das palavras senão tomar-lhes o peso, quando remetidos ao silêncio as procuramos em resultado dessa atitude de aparente rejeição das palavras?!
Vozes Presentidas
Há vozes que soam em nós,
não se anunciam, estão presentes.
E a sua presença nem o tempo
mede o momento de se ouvirem.
Mesmo no silêncio ouvem-se
sem trazerem palavras aguçadas,
repousando no ritmo e sublime acento,
voz guardada no coração aberto,
no pressentimento de a escutar.