Nesta narrativa, toda ela uma viagem em redor de viagens, Irene Valente lembra-nos que a vida é um labirinto, uma "teia de ligações" da qual apenas nos poderemos libertar "através da
compreensão e do perdão de todos os intervenientes".
E também nós, porque leitores, somos intervenientes nestas viagens de Isadora, estamos com ela nos espaços exteriores e nos espaços interiores, vimos com os seus olhos e ouvimos com os
seus ouvidos. Porém, aceitemos ou não a reencarnação, somos incapazes de recusar a dimensão de imortalidade que nos é proposta pela autora: "somos imortais e eternos. Os corpos e
mentes são apenas as máscaras que a alma utiliza para representar o papel atribuído ao personagem na novela que decorre em cada vida".
Assim, da mesma forma como o revisor da narrativa, ciente de que a obra é do escritor, propõe a alteração de uma vírgula ou de um tempo verbal mas liberta a obra para que espelhe o seu autor,
também cada um de nós, tendo recebido novas ideias, é livre para "seguir uma consciência mais elevada e o caminho da espiritualidade em sintonia com as Leis do UM ou, pelo contrário, continuar preso ao medo, ao sofrimento".