Kalum ru Kurea ru Kinaar, um velho corvo de trinta e
oito anos, é o narrador desta história e é pelo seu bico
que nos é dado a conhecer um episódio que abalou
a Família e que, por pouco, não causou a sua destruição.
A Família inicia a sua viagem anual migratória em
direcção à Árvore da Reunião, local onde há muito os
vários clãs se encontram para discutir problemas que
estejam a afectar a comunidade, para contar histórias
aos mais novos ou mesmo para acasalar.
Kalum faz-nos entrar num mundo fantástico que tem
como personagens principais Kyp, Kym e Kuper,
representantes de uma geração mais nova, mais
inconsciente mas, ao mesmo tempo, mais corajosa.
Kyp é o corvo destemido, o mais hábil a voar, mas
também o mais irreverente. Kym é a figura feminina da
história, um corvo mais sensato e curioso que faz a
ligação com o ser humano. Já Kuper representa o lado
mais solitário do corvo: quando toda a sua família foi
morta pelos humanos, viu-se obrigado a aprender tudo
sozinho, o que o tornou uma figura mais distante, mas
muito importante para o desenrolar da aventura.
A Reunião Anual é abalada quando um gato ataca uma
cria e Kyp, sem consultar a Família, organiza uma
Revolta para se vingar do felino. Como consequência
deste episódio, Kyp é julgado e temporariamente
afastado do grupo. Durante a sua ausência, Kuper e
Kym acabam por ter contacto com ele e é por esta
altura que começa a surgir entre eles uma espécie de
triângulo amoroso.
Como se não bastasse os clãs terem-se dividido em
consequência do ataque ao gato, uma outra desgraça
vem abater-se sobre a Família: um nevão que obriga a
comunidade a abandonar a Árvore protectora e
aventurar-se pelo mundo subterrâneo, um mundo
proibido, onde vivem… gatos.
Repleto de humor, sentimento e de acção, este livro
não pára de nos surpreender, até porque tem um ritmo
extraordinário, que nos faz querer ler sempre mais.