Nesta que foi a última obra de ficção de Osman Lins, 'um obscuro professor secundário' de biologia tenta, dia após dia, interpretar o único romance
escrito por sua falecida amante, Julia Marquezim Enone, chamado A Rainha dos Cárceres da Grécia. Durante a leitura, a voz do professor se mistura
com a de sua musa e ambas se dissolvem na trajetória da personagem-narradora criada por Julia, a delirante Maria de França, que empreende uma
jornada kafkiana pelos labirintos do inps em busca da aprovação de sua aposentadoria por invalidez. Ao desvendar as desventuras e delírios de Maria
de França, o professor contamina a narrativa com suas lembranças. A leitura do livro dentro do livro torna-se uma forma de o professor entender as suas
angústias e as de sua amada. Através da memória, as histórias e seus relatos transcendem o tempo, num grande exercício de experimentação da
escrita.