A diferença entre o homem (masculino e pai) e a mulher (feminina e
mãe), considerada como um dado essencial e imprescindível da natureza
humana, derivada, por outro lado, da criação divina, hoje está sujeita a um
debate orientado pela recente cultura sexual, que, contestando a
naturalidade da diferença entre macho e fêmea, reivindica o direito,
inclusivamente no plano jurídico, a definir de um modo distinto o género
sexual a que cada um pertence.
Com o propósito de oferecer alguns elementos interpretativos essenciais
para iluminar esta questão, bem como os critérios fundamentais para
orientar-nos na chamada "questão género", Aristide Fumagalli, num
primeiro momento, evidencia o desenvolvimento das teorias de género
e a sua incidência no plano político e jurídico. Num segundo momento,
tendo como pano de fundo a posição da Igreja, faz a distinção entre
ideologia de género e perspetiva de género, assinalando os limites da
primeira e os valores da segunda.