ÁFRICA é o continente mais pobre do mundo — e também o mais rico.
Embora concentre apenas 2% do PIB mundial, alberga 15% das reservas
de petróleo, 40% do ouro e 80% da platina. No seu subsolo jaz um terço
das reservas minerais do planeta. Mas o que poderia constituir a salvação
do continente é, pelo contrário, uma maldição.
Os recursos naturais africanos têm sido alvo de uma pilhagem
sistemática. A contrapartida do petróleo e dos diamantes é a corrupção,
a violência e desigualdades sociais gritantes. Mas os beneficiários deste
saque, assim como as suas vítimas, têm nome. O crescimento acelerado
de África é induzido pela voracidade de recursos naturais por parte de
economias emergentes como a chinesa, e alimentado por uma rede
sombria de comerciantes, banqueiros e investidores dispostos a subornar
as elites políticas locais.
Em A Pilhagem de África, Tom Burgis, premiado jornalista do Financial
Times, conduz o leitor numa viagem emocionante e frequentemente
chocante aos bastidores de uma nova forma de colonialismo. Ao longo
de seis anos, o autor abraçou uma missão através da qual se propôs
denunciar a corrupção e dar voz aos milhões de cidadãos africanos que
sofrem na pele esta maldição. Aliando um trabalho aprofundado de
investigação a uma narrativa plena de ação, o livro traz uma nova luz
sobre os meandros de uma economia globalizada e a forma como a
exploração das matérias-primas africanas concentra a riqueza e o poder
nas mãos de poucos.