«Na luz pálida de inverno deste dia de janeiro, estou sentada à janela da cozinha, bebo chá de gengibre acabado de fazer com muito mel e observo o pátio lá fora. […] Paira sobre a paisagem uma massa cinzenta uniforme que engole toda a alegria e abafa todas as sensações, as más como as boas. Sinto qualquer coisa, mas é qualquer coisa que não quer sair: um pequeno raio de luz, que quase não se vê e que, no entanto, sustenta a minha vida.»
Depois de um infortúnio que lhe roubou Sonja, a filha adolescente, Linda muda-se da cidade para uma aldeia, e isola-se numa casa inóspita. Dedica-se a cuidar da quinta, dos animais e da cadela Kaja. Resta-lhe pouco mais do que a bondade de estranhos — um casal de vizinhos e uma mulher da sua idade, mãe de uma rapariga com autismo.
Neste quotidiano agreste e solitário, cultiva com dedicação a memória da filha que perdeu, fixando a sua presença imaterial e mantendo intocado um laço perene. Quando Richard, o marido de quem se afastara, adoece, Linda decide ficar ao seu lado. Nada fazia prever o momento epifânico que, depois de tudo, lhes traz o alento há muito perdido.