Henry Miller: «É uma leitura de entrelinhas de primeira ordem. O verdadeiro e essencial relato foi exumado e transmitido com liberdade poética. Como um farol poderoso, derrama a sua luz sobre esta confusão sangrenta, sobre este pesadelo atroz dos nossos começos aqui, nesta terra dos Peles Vermelhas.»
Álvar Núñez Cabeza de Vaca; este homem com um invulgar sobrenome conhecido na Espanha desde o século XIII, terá nascido entre 1490 e 1492. Era um andaluz de Jerez de la Frontera, a dois passos de Cádis, e a extravagância do sobrenome (oferecido pela sua mãe, uma vez que a tradição espanhola coloca a referência materna depois do sobrenome do pai) não o impedia de pertencer a uma família nobre com direito a um brasão onde se destacava o surpreendente crânio de uma vaca. […] Este poderoso Cabeza de Vaca estabeleceu novas regras que pretendiam modificar o comportamento dos espanhóis no seu relacionamento com os índios; e ficaram profundamente desagradados os que exerciam o seu poder com brutalidade e uma bem instalada força de conquistadores, os que só olhavam para os nativos como um povo que devia ser severamente dominado.[…] Sabe-se que morreu em Sevilha num dia que os seus biógrafos situam, sem grande margem de erro, entre 1558 e 1560.