A releitura do estudo de Gurvitch permite restabelecer, na história do pensamento sociológico, certa verdade: que os sociólogos, etnólogos e antropólogos não esperaram o estruturalismo para compreender que a magia forma um sistema bem articulado e, aliás, portador de sua racionalidade imanente.
O estudo das ciências, tanto quanto a epistemologia e o sistemismo, já o havia demonstrado. E nessa perspectiva frutífera, Gurvitch mostrou o que o refinamento dos conceitos sociológicos, em termos de tempos sociais, grupos particulares ou patamares em profundidade, podia trazer aos juristas.
Há um século, conscientemente ou não, o direito se beneficia com isso, no sentido de uma melhor simbiose do geral e do particular, do abstrato e do concreto, do sagrado e do profano, do místico e do político, do Oriente e do Ocidente, de escritos fundamentais e profundamente inovadores, tais como os de Max Weber. Mas seria injusto desconhecer, a seu lado, o lugar de Gurvitch.
A presente reedição tende precisamente a fazer-lhe justiça quanto às relações do direito, da magia e da natureza.