E se o amor que te criou for o mesmo que te sufoca?
A melhor amiga de Alice é a mãe: é ela quem a incentiva a tirar o curso de Direito, quem lhe dá conselhos sobre a sua vida amorosa, quem a orienta em todas as decisões. É também ela quem lhe oferece, no 18.º aniversário, o melhor presente de sempre: um cão da raça chow-chow. Alice não podia estar mais feliz. Até que a mãe decide tirar-lhe o animal de estimação, alegando que a filha não tem tempo para cuidar dele.
Desde que entrou na adolescência, Alice sente um desconforto em relação à mãe difícil de explicar. Há qualquer coisa que não parece… bem. Agora, prestes a começar a faculdade, e a apaixonar-se por Amadeu, um terapeuta-pintor com um dom inexplicável, o incómodo é impossível de ignorar.
Para ajudar Alice a encontrar as palavras certas e descrever o que nunca soube nomear, surge Freud, uma figura inesperada, íntima e desconcertante, que a conduz ao centro da ferida.
Depois do sucesso de As Sete Carruagens, André Fernandes mergulha nas dinâmicas invisíveis das relações familiares e expõe aquilo de que raramente se fala: a dor de perceber que nem sempre uma mãe é sinónimo de casa.