Ler bons livros implica sempre o
desvendar de mistérios. Estes
textos dão a conhecer o universo
de grandes autores que
escolheram crianças como heróis
e heroínas dos seus romances,
revelando, através
das suas personagens, as alegrias,
traumas e anseios que associam à
sua própria experiência e às
características do tempo em que
estão inseridos. Vitorianos como
Charles Dickens, J.M. Barrie,
Lewis Carroll e Louisa May Alcott
encaram as crianças,
preferencialmente, como «anjos»
travessos, no rasto de Rousseau e
Wordsworth, enquanto que, no
século xx, Thomas Mann,
Vladimir Nabokov e William
Golding, associam os seus
meninos e meninas a um «mal»
inato e sempre prestes a ser
revelado. Ian McEwan e K. J.
Rowling, nossos
contemporâneos, exploram um
vasto leque de possibilidades
através dos múltiplos e
complexos seres que povoam as
suas obras. Todos perscrutam o
território fértil da imaginação, da
inocência (perversa e gloriosa),
enquanto nos dão conta da
ligação estreita entre a fantasia e
a realidade, entre o vivido e o
imaginado, entre o desejo e a
consumação.