Como se comportam os meios de informação face a uma catástrofe anunciada? Em quem confiam? E como avaliam
o risco? GONÇALO PEREIRA ROSA, analisou a cobertura noticiosa de duas catástrofes anunciadas: um petroleiro à
deriva perto da fronteira portuguesa carregado com fuelóleo apresentava, em Novembro de 2002, um risco
catastrófico, mas conhecido, de derrame sobre as águas nacionais; em contrapartida, em 2009, uma epidemia de
gripe com potencial avassalador constituía uma das ameaças mais imprevisíveis para a saúde pública, sem paralelo
na história recente.
Os media alimentam uma obsessão com a novidade que se torna prejudicial na gestão de uma catástrofe de
desfecho imprevisto. A gestão de risco define-se, em contrapartida, pelo planeamento do pior cenário possível,
esperando naturalmente que ele não se concretize. Apresentando reflexões de jornalistas e gestores de crise,
ministros e decisores, humoristas e comentadores, este livro reúne pistas sobre o tratamento noticioso de temas da
sociedade de risco e as forças que afectam o seu enquadramento, bem como a necessidade de colocar em prática
estratégias comunicacionais justas, factuais e realistas.
Discutindo as restrições que uma situação de emergência nacional coloca ao normal funcionamento dos jornalistas,
A GRIPE E O NAUFRÁGIO é um documento indispensável para gestores de crise e jornalistas, para investigadores de
comunicação e para qualquer cidadão interessado no processo de construção social do risco e na forma como cada
emergência, em tempos elevada a prioridade, tende a atingir um inevitável pico de saturação, antes de se juntar à
lista de recordações de sustos passados.