Este livro, publicado no ano em que se comemoram 50 anos da Revolução dos Cravos, é uma homenagem a essa Revolução e aos que resistiram a uma ditadura que oprimiu todos os açorianos, tal como os restantes portugueses, durante 48 anos. Através de uma análise do papel notável na resistência contra a ditadura salazarista, e na luta por uma sociedade mais justa, dos vários membros da família Miranda que tinham laços emocionais profundos, não só aos Açores, mas também a locais tão diversos como Goa, Grã-Bretanha e Portugal continental, o livro examina questões de grande importância para os açorianos tais como a sua história e a sua identidade no contexto de Portugal e do mundo.
Os interessados pela história regional ficarão a conhecer melhor, entre outros temas, a vida em São Miguel nas décadas de 50 e 60 do século passado, o significado do 25 de Abril de 1974 e do 6 de junho de 1975 para os açorianos, e diferentes formas de tratar a questão da autonomia regional. Até que ponto será legítimo assemelhar a relação dos Açores com Portugal continental à relação que Portugal teve historicamente com as suas colónias em África e na Ásia, é também uma das questões abordadas nestes textos.
Outra questão que o livro trata, usando a biografia da família, e de cada um dos seus vários membros como exemplos, é a do papel que os conceitos de raça e de classe social têm na construção das identidades dos indivíduos e das sociedades.
No seu conjunto, o livro elabora o argumento de que cada cultura é construída através da interação de diferentes culturas e que a influência do multiculturalismo é essencial para o seu dinamismo e progresso. Constitui um apelo a que a luta por uma sociedade mais justa e mais racional na sua relação com o ambiente seja conduzida com a consciência da existência de uma humanidade que é universal e transcende a identidade regional e nacional, e as fronteiras.