Há muito tempo que os historiadores sentem necessidade
de investigar e compreender o fenómenos das migrações
dos povos. Quais as razões que levaram as pessoas a deixar
a sua terra, a sua família, as suas raízes para se lançarem
num mundo desconhecido, por terras de além-mar? O que é
que terá levado estas gentes a tal demanda? Terá sido o
espírito aventureiro de um povo o que o lançou nesta
aventura, desde o século XV? Será consequência directa de
conjunturas políticas, sociais e económicas? Terão sido
problemas familiares os que obrigaram estas gentes a
procurar essa terras desconhecidas? Quem emigrava? E por
que razão?
Se estas questões, só por si, nos merecem uma reflexão
crítica no sentido da compreensão dos condicionalismos que
poderão ter originado tal fluxo, é também importante
inserir a emigração no âmbito mais restrito da paróquia e
da família. É neste contexto que se pretende situar o
presente estudo através dos movimentos migratórios da
paróquia de Santo André da Campeã e as consequências da
emigração para o Império do Brasil, num período
compreendido entre 1848 e 1900, procurando analisar-se, a
partir das direcções que a emigração portuguesa tomou a
partir do século XX.