«A noite levava-nos a pensar, a imaginar comida, a nossa casa,
mais comida, terríveis cenas de infância, essa época
abominável, misturavam-se com imagens de comida e
exponenciavam o nosso suplício (…) tornava-se incomodativo
e alguns choravam, para em seguida se rirem. Terminadas as
lamúrias, tudo corria melhor, fazia-se silêncio, podia-se
dormir.»
A Grande Guerra assola a Europa do início do século XX. Um
capitão do Corpo Expedicionário Português encontra-se num
campo de prisioneiros alemão, sem documentos que atestem a
sua patente de oficial, obrigado a partilhar a vida e o destino dos
seus conterrâneos mais pobres. Tem fome, ouve detonações
constantes, observa, sonha, procura um sentido para tudo aquilo
que o rodeia, tenta terminar o relato de uma estranha história
sobre cientistas alemães e gravações de voz, procura
desesperadamente o silêncio e, acima de tudo, a paz das coisas
simples.