Este livro analisa percursos, percepções e argumentos de protagonistas de graves colisões, despistes e atropelamentos que aconteceram nas estradas portuguesas da actualidade. Mostra-nos que todos são vítimas de um ambiente viário pervertido e de uma cultura desresponsabilizadora. Como uns e outros gerem a "culpa", seja ela efectivamente sentida ou imputada exteriormente, é o tema central e assumido do livro. Mas nestas páginas desenvolve-se um argumento particularmente perturbador: a culpa existe? Ou melhor, ao concentrarmo-nos demasiadamente na busca persecutória do culposo, não estamos a pretender esconder o sol (da responsabilidade, e da co-responsabilização) com a peneira da atribuição de culpa?