Luís Represas (1956–2026) foi um cantor, compositor e guitarrista português, reconhecido como uma das vozes mais marcantes da música portuguesa contemporânea. Ao longo de cinco décadas de carreira, destacou-se tanto como fundador dos Trovante como pelo percurso a solo, construindo uma obra que cruzou pop, música de inspiração tradicional portuguesa e influências da lusofonia.
Em 1976 foi um dos fundadores dos Trovante, grupo que desempenhou um papel determinante na renovação da música portuguesa após o 25 de Abril. A banda distinguiu-se pela fusão de instrumentos tradicionais com sonoridades contemporâneas e conquistou enorme popularidade durante as décadas de 1980 e 1990 com temas como "Perdidamente", "125 Azul", "Timor" e "Saudades do Futuro", tornando-se uma referência incontornável da música nacional.
Após a separação dos Trovante, em 1992, iniciou uma carreira a solo que se revelou igualmente bem-sucedida. Estreou-se com o álbum Represas (1993) e lançou, ao longo dos anos, trabalhos como Cumplicidades, A Hora do Lobo, Código Verde, Olhos nos Olhos, Boa Hora e Miragem, editado em 2024. As suas composições caracterizavam-se por melodias elegantes, letras poéticas e uma forte ligação à língua portuguesa.
Ao longo da carreira colaborou com numerosos artistas portugueses e internacionais, entre os quais Pablo Milanés, Gilberto Gil, Carlos do Carmo, Jorge Palma, Ivan Lins e Phil Collins, afirmando-se como um dos principais embaixadores da música portuguesa no espaço lusófono.
As suas canções abordavam frequentemente temas como o amor, a memória, a identidade e o tempo, distinguindo-se pela interpretação emotiva e pela voz calorosa que se tornou uma das suas maiores marcas. Em 2005 foi distinguido pelo Estado Português com a Ordem do Mérito, no grau de Comendador, em reconhecimento pelo seu contributo para a cultura nacional.
Mesmo nas últimas décadas manteve uma intensa atividade artística. Em 2025 voltou a reunir-se com os Trovante para uma série de concertos comemorativos e celebrava, em 2026, os 50 anos de carreira. Faleceu a 22 de julho de 2026, deixando um legado incontornável na música portuguesa, marcado pela qualidade das suas composições, pela voz inconfundível e pelo papel fundamental que desempenhou na afirmação da música popular portuguesa contemporânea. A sua obra continua a influenciar sucessivas gerações de músicos e permanece como uma referência maior da cultura portuguesa.(...)