Para a PIDE era agente de moscovo. Para a gestapo, agente dupla. Para a CIA pertencia à Rote Kapelle.
Em A Comunista e o Pide, de Felícia Cabrita, vamos conhecer - mas será possível de facto conhecê-la? - Carolina Loff, mulher irresistível aos olhos dos homens, senhora de tremenda beleza e dura disciplina. Agitadora nata, Carolina entrou no PCP aos 17 anos. na sua luta, conheceu as cadeias da ditadura, foi torturada e resistiu. Tornou-se, 10 anos depois, na primeira mulher a integrar o secretariado do Comité Central do Partido, sendo chamada por Pavel, célebre dirigente, a Moscovo para completar a sua formação teórica.
De Moscovo, onde deixou a filha ainda criança, seguiu para a Guerra de Espanha em missão clandestina: seria morta se a revelasse. Acabou presa nas cadeias franquistas. Sobrevivente, a enigmática Carolina regressou a Portugal e ao PCP, ao lado de Cunhal. Voltou a ser presa e é então, nas prisões da ditadura salazarista, torturada por Júlio Almeida, agente da PIDE, que a resistente e inquebrável Carolina vai viver o episódio que muda toda a sua vida.
O que aconteceu, numa sala de tortura, que pintou com as cores da traição tanto os ideais do comunismo quanto os do salazarismo?