«Antes do sol nascer, desse dia de Outubro o corpo do patriarca balouçava no galho da forca, na árvore maior do jardim das amendoeiras.
Quando os varredores entraram no jardim para limpar o chão pejado de folhas, uma moto de alta cilindrada afastava-se da Cidade. Eram exactamente cinco horas da manhã.
O barulho potente da Kawasaki 500 R, acordara Lousada que, em ceroulas veio à janela espreitar. O rosto da rapariga que subia para a moto não lhe era desconhecido, mas não o viu mais do que uns cinco segundos. Mal se sentou na moto, o homem que ia ao volante arrancou a toda a velocidade e Lousada retirou-se a coçar a cabeça como fazia, quando queria recordar um rosto.
Voltou a deitar-se, mas não pregou mais olho. O sexto sentido que tantas vezes lhe salvara a vida na Guiné dizia-lhe que aquele dia não seria um dia como os outros. Acordou Berta e disse-lhe que vira uma moto e um rosto de mulher a subir para ela. «Raios me partam se não conheço aquela cara!»