Houve um tempo em que julgávamos que o nosso planeta estava no centro do universo. Descobrimos que nem no centro do nosso pequeno recanto, o sistema solar, estamos. Pensámos, durante muitos séculos, que os humanos eram uma categoria separada da natureza pela criação directa de um agente superior. Começámos, entretanto, a compreender que os humanos são animais, com estreitos laços de familiaridade com outros animais - e, pouco a pouco, vamos admitindo que isso não tem nada de desprestigiante. A maioria de nós continua a admitir como evidente que os animais e as máquinas pertencem a "reinos" diferentes. Contudo, vamo-nos apercebendo dos crescentes cruzamentos entre o humano e a máquina, a caminho de se tornar menos clara a diferença entre a engenharia do corpo (o campo da prótese, física ou cognitiva) e a engenharia do espírito (a incorporação das ideias de outros na nossa própria carne). Convém, se queremos compreender o terreno que pisamos, não descurar inteiramente essa outra revolução copernicana em curso. Independentemente de antecedentes filosóficos e científicos mais ou menos antigos, a raiz mais próxima da ideia de um terreno partilhado entre o natural e o artificial, da noção de que não há uma linha nítida de fronteira entre o ser vivo e o artefacto, está no movimento cibernético.