Escrito em "lisboeta", A Borboleta na Gaiola recria, ao
estilo do realismo cinematográfico, um certo território
citadino: o microcosmos da esquerda no ano que
antecede a Revolução, que se arrasta pela noite numa
forma peculiar de querer gostar da vida e de fazer a
mudança.
Vistosa, como a borboleta, esta gente não produz,
porém, um único som que incomode verdadeiramente
o poder. Isso é para os pássaros canoros, os autênticos
revolucionários, que estão ausentes deste
romance. Todavia, acaba também privada de voo.
Publicado pela primeira vez em 1984, e adaptado ao
cinema pelo próprio autor, ressurge agora por ele
revisitado, mantendo uma actualidade desconcertante.