A Bicicleta Açoriana, segundo livro de poemas de Rita Gomes, propõe uma travessia física e simbólica pela paisagem, pela memória e pela introspeção, tendo a bicicleta como eixo central de movimento, contemplação e significado. A obra surge depois da estreia da autora com Corações que Correm, Cabeças que Amam e aprofunda uma escrita marcada pela relação entre palavra, liberdade e autoconhecimento.
Em A Bicicleta Açoriana, a autora parte da experiência das viagens e dos regressos para construir uma poesia em movimento, onde o corpo que pedala se transforma num corpo que observa, sente e escreve. A bicicleta deixa de ser apenas meio de transporte para se tornar metáfora de ligação entre paisagem e pensamento, luta e espanto, ritmo e respiração. A palavra assume esse movimento contínuo, levando o leitor por percursos onde o tempo abranda, o espaço se abre e a ilha se torna infinita, entre o verde e o azul, o vento e o sal, o cansaço físico e a mente desperta.
A dimensão visual da obra assume igualmente um papel central, através das ilustrações de Urbano, que constroem uma narrativa própria. Feitas de cor, transparência, sobreposição, fauna e flora, as imagens ampliam sentidos, prolongam silêncios e criam espaços de respiração dentro do livro, reforçando o carácter sensorial da travessia proposta pela autora.