«Quando, por fim, consegui cair num sono mais profundo, sonhei com uma árvore que estendia em ritmo acelerado as suas ramagens para o céu. O seu tronco aumentava, contorcia-se e rachava, enquanto apareciam folhas, que se multiplicavam e depois caíam, dando lugar a novos rebentos. Ao aproximarmo-nos, víamos sobre a sua casca milhares de pequenos pontos pretos que se mexiam. Não eram formigas, mas humanos. E, aproximando-nos mais, podíamos vê-los: bebés a gatinharem, depois a levantarem-se, tornando-se crianças, adultos e depois velhos. Também para eles o tempo se acelerava. Cada vez mais cachos de pontos pretos jorravam na casca desta árvore gigante. E, à medida que a árvore se estendia, o número de pontos crescia. Os humanos formavam longas filas que sulcavam as ramagens, parando por vezes quando aparecia um ramo. Avançavam até às folhas, contornavam-nas e tentavam pular para cima delas. Por vezes, a folha caía, e todos os humanos caíam com ela. Esta noite sonhei com uma árvore e, hoje de manhã, isso deu-me uma ideia. Talvez haja ciclos na História (...)»