As 7 Casas Imaginárias, Sete Caminhos de Identidade, são uma realidade que emerge a partir de uma genérica reflexão pessoal, necessariamente aberta e subjectiva, sobre o significado da Casa enquanto razão e princípio de Identidade e de Arquitectura. Concretamente, a presente publicação - também ela um Eu, um alter-ego - resultou da reinscrição, revisão e ampliação de um conjunto de textos autónomos que fomos organicamente construindo e reconstruindo no tempo, complementados por novos textos e reflexões que se foram impondo, revelando e transformando pela síntese temática desencadeada pela presente publicação.
Na verdade, nesta reflexão assume-se determinada pelo reconhecimento tácito que fomos reconhecendo sobre a relação potencialmente fecunda entre a Casa, enquanto lugar arquitectónico matricial, e a expressão plena de um indivíduo potencialmente livre e subjectivo, relação essa que, muito mais do que uma mera relação quantificável e fisicamente construída, tende a revelar-se - ininterruptamente - metafórica e polissémica de sentidos; ou seja, tende a revelar-se como um âmbito fecundo que, no limite, como o pressentiam os Românticos, pode sintetizar física e simbolicamente a identidade e a própria vida.
Com efeito, assumimos aqui como questão prévia da presente reflexão, a potência e o sentido do valor inscrito no conceito de Casa quando entendida matricialmente num sentido amplo e identitário, quando entendida como uma Casa identitária que se inscreve como Casa Mundo, Casa que para nós tenderá sempre a superar em muito uma estrita verdade material, dado que nela se consubstanciam, para o bem ou para todos os males, para todas as esperanças, muitas das condições fundamentais que nos determinaram identitariamente, uma vez que dela somos, e nela também somos, resultado e consequência de uma relação simbiótica única e irrepetível.