Nos textos reunidos em «Não Chega para Todos», o capitalismo é entendido não apenas como um sistema económico, mas uma máquina de excesso e escassez em simultâneo, onde a promessa de abundância se inverte continuamente em exclusão. Müller pensa o presente como catástrofe administrada — sem exterior, sem redenção, apenas com variações de um mesmo conflito numa cartografia crítica da modernidade tardia.
Fragmentos, entrevistas, poemas e reflexões dramatúrgicas compõem uma visão em que a economia surge inseparável da guerra, da linguagem e da pulsão de morte das sociedades contemporâneas, onde a promessa de universalidade encontra sempre o limite material e político da desigualdade.