A autora Fernanda Santos propõe-se a desvendar um novo cânone nos países africanos lusófonos, comparando pré e pós-colonialismo literário.
"Propõe-se questionar na obra que apresento que novidades trazem as literaturas africanas pós-coloniais que emergem numa época que se convencionou chamar de pós-colonial, no caso português historicamente situado no pós-25 de abril de 1974? Qual a marca de diferença que elas contêm em si? Quais as diferenças temáticas entre a literatura que se produziu antes do 25 de abril e depois, nos países africanos lusófonos? Obedecem estritamente ao cânone que se convencionou chamar de ocidental (e também europeu), ou constituem, por elas mesmas, uma novidade tal que proporcionam o nascimento de um novo cânone?
Com o propósito de fazer uma análise, se bem que reconhecidamente modesta, destas duas épocas (época colonial e pós-colonial) em comparação na literatura, escolhi dois autores angolanos que quanto a mim representam as mesmas. Com um percurso de luta e guerrilha pela libertação de Angola, Pepetela e Manuel Rui estiveram ambos envolvidos em processos políticos complicados, ao mesmo tempo que se debatiam com a sua condição de mestiços. Ambos estudaram na Europa, viajaram, e as suas obras não são alheias aos conhecimentos adquiridos sobre o cânone dito ocidental, totalmente europeizado. Esse conhecimento atravessa as suas obras, diria mais, parece constituir uma necessidade por parte dos autores, na afirmação da sua escrita. A legitimação das suas obras é feita por recurso àquilo que é tido como canónico. Mas ficarão estes autores por aqui na sua apropriação do real e na escrita do mesmo?"
Introdução
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