Em 1938, numa Áustria ocupada pelo regime nazi, Sigmund
Freud recebe um visto para fugir para Londres e, assim, escapar
à ameaça de terror. Da lista de 16 pessoas que pretende levar
consigo fazem parte a cunhada, o médico, as criadas e até o seu
pequeno cão, mas nenhuma das suas quatro irmãs. É pela voz
de uma delas, Adolfine, que conhecemos esta história
assombrosa sobre a família Freud. Deportada para o campo de
concentração de Terezín, «a melhor e mais doce irmã» do
psicanalista conhece Ottla, a irmã amnésica de Franz Kafka, a
quem confidencia as suas memórias. Emerge o retrato de uma
menina sensível e doente que vive a infância em simbiose com
o irmão Sigmund, o mentor que a guiava na descoberta da vida.
O retrato de uma jovem inconformada com o papel que a
sociedade lhe impõe, amargurada pelo desprezo da mãe e pela
partida do irmão. Por fim, o retrato de uma mulher só, que se
sente apenas meia mulher por nunca ter sido mãe. O cenário
da história da família é a Viena da viragem do século, uma
época de incomparável esplendor artístico e intelectual, que
serviu também, e ironicamente, de pano de fundo a alguns dos acontecimentos mais traumáticos do século XX.