Já todos tivemos a sensação de não nos reconhecermos ao espelho.
Mas... se, além disso, reconhecêssemos outra pessoa no lado de lá?
É o que sucede a Luís, personagem principal de "Um Pinguim na
Garagem", que tem um dia a confirmação de que é um clone do seu
pai. Ao longo do texto, vai descrevendo o desamparo e a luta inglória
pelo direito à diferença, que sente ter-lhe sido roubado. E, como
também refere desde a primeira página, este roubo tanto resulta do
facto de ser produto de uma clonagem como da "mestria com que o
pai dominou essa outra arte, bastante mais castrante e corrosiva,
ancestral como a espécie humana [...] e que bem se poderia chamar
de clonagem educacional".
Fica a mensagem: a de este meio de procriação poder vir a ser
procurado, preferencialmente, por aqueles que vêem nos filhos um
prolongamento, um instrumento de eternização.