Bertrand.pt - Raízes da Beira

Raízes da Beira

Genealogia e Património: da Serra da Estrela ao Vale do Mondego - 2 Volumes

de Eduardo Osório Gonçalves 

Editor: Dislivro
Edição ou reimpressão: julho de 2006
70,67€
Esgotado ou não disponível

Quem hoje viajar pelo país, percorrendo o que ainda se chama território rural, e quiser interpretar a herança cultural deixada pelas gerações que nos precederam através do estudo do património local, dificilmente o irá conseguir. Em pouco tempo, não só se alteraram de maneira irreversível hábitos e tradições seculares, como foram desaparecendo os próprios elementos materiais, de natureza erudita ou popular, que lhes serviam de suporte e de ilustração. Percorrer, por exemplo, a região correspondente ao antigo bispado de Coimbra tendo como base as Informações Paroquiais de 1721 ou as Memórias Paroquiais de 1758 é hoje uma experiência virtual. Com raras excepções, as igrejas e capelas então descritas pelos párocos estão irreconhecíveis, tendo desaparecido altares, sepulturas, inscrições e imagens, quando não os próprios edifícios. O que se passou com o património religioso é pouco se comparado com o restante. Nas povoações têm desaparecido progressivamente as construções tradicionais, com substituição das tipologias e dos materiais locais. A maioria dos municípios e o próprio Estado continuam sem qualquer política consistente de salvaguarda e reabilitação, não assegurando nem boas práticas de planeamento urbano nem a qualidade dos novos edifícios, o que tem como resultado o crescimento de aglomerados que são autênticos catálogos de mau gosto, inseridos num território desordenado e sem qualquer valor estético ou ambiental. Das paisagens históricas do norte ao sul do país, dos centros urbanos antigos aos monumentos e conjuntos tradicionais isolados, das casas senhoriais à arquitectura popular, quase tudo se pode hoje considerar em risco, permitido por uma gestão pública iconoclasta e ignorante, erigida em nome de um desenvolvimento que não raramente esconde interesses de difícil justificação. Foi assim quebrada a antiga aliança entre território, população e cultura que desde há muito nos definiu como nação. A este vendaval não poderia escapar, pela sua frágil condição, a quase totalidade do acervo documental que existia nas famílias tradicionais, assim como nas instituições civis e religiosas locais e que era diverso, importante e valioso. São inúmeros os testemunhos de arquivos e colecções de manuscritos, fotografias e outros documentos, desagregados e dispersos de forma avulsa, quando não abandonados como inúteis e incómodos. Nestas condições, pretender fazer um estudo genealógico abrangendo o conjunto das principais famílias de uma determinada região, articulando esses elementos com o património local, é uma aventura que raia a utopia. Esse foi no entanto um dos objectivos da presente publicação, em que parte do trabalho consistiu numa "pesquisa de campo" que permitiu localizar casas, identificar capelas e sepulturas e decifrar inscrições e pedras de armas, elementos em grande parte esquecidos ou ignorados e na sua maioria inéditos. A colecção de fotografias que se divulga, em que apenas se considerou aquilo que é de acesso público, representa uma síntese do resultado obtido. Como área de referência, definiu-se um território que apresenta uma clara identidade geográfica e cultural, situado entre a Serra da Estrela e os vales do Alva e do Mondego. Trata-se basicamente de um eixo formado pelos actuais concelhos de Gouveia, Seia e Oliveira do Hospital, a que se agregaram algumas freguesias de Manteigas, Tábua e Arganil e pontualmente diversas localidades. A selecção dos principais títulos baseou-se na identificação dos "patriarcas" de algumas das famílias referidas, tendo os restantes a função complementar de clarificar relações de parentesco e facilitar o desdobramento das informações. Todos os apelidos aparecem normalizados, tendo-se adoptado a grafia usada no Armorial Lusitano. Historicamente, o estudo decorre desde o início do século XVI - sempre que possível - percorrendo os dois séculos seguintes até finais de setecentos. Em alguns casos, raros, descrevem-se ascendências mais antigas quando elas estão estabelecidas. Deixa-se assim para publicações de outra natureza a genealogia de épocas anteriores - que exigem competências que o autor não possui - e para monografias de carácter familiar a descrição das gerações que se formaram com o liberalismo. Como se sabe, a principal fonte de riqueza nesta época era a posse da terra. O pastoreio, a criação de ovelhas e o fabrico de lã, a produção de linho e o comércio de tecidos e mais tarde a cultura intensiva do milho explicam a maior parte dos recursos financeiros das famílias consideradas. A sua importância social é demonstrada pelo exercício dos cargos nobres da república e da igreja, pelo acesso ao seminário e à universidade, pelas várias distinções honoríficas e ainda pela instituição de vínculos e capelas. Austera era certamente a vida corrente da maioria, com excepção dos excessos barrocos de alguns privilegiados. No texto, transcreveu-se por norma o modo como as pessoas são referidas pelos seus contemporâneos, nomeadamente pelas testemunhas das diversas inquirições, por se considerar ser esta a forma mais genuína de descrever a realidade económica e social local. Assim, vivia-se de suas fazendas, ou à lei da nobreza, ou de sua lavoura, sem ofício, ou de seu trabalho e maneio, ou ainda de andar aos jornais, como pessoas pobres que eram, para citar apenas alguns exemplos. Acerca das fontes, impressas e manuscritas, a principal opção foi a sua referência sistemática - com excepção dos registos paroquiais - pois nada substitui a consulta dos documentos originais. Para além dos assentos, que são a principal matéria-prima de qualquer estudo genealógico, teve-se como base todo o tipo de habilitações de genere, designadamente os processos de ordenações sacerdotais das antigas câmaras eclesiásticas de Coimbra e de Lisboa, as habilitações ao Santo Ofício e às várias ordens militares e a leitura de bacharéis. Efectuou-se um levantamento das mercês registadas nas chancelarias régias, abrangendo especialmente os reinados de D. João III a D. Pedro II. Percorreu-se o registo de matrículas e de exames no colégio das Artes e na universidade de Coimbra. Consultaram-se secções várias do Arquivo Histórico Militar. Isto para citar as mais significativas. A estas fontes dos arquivos públicos juntaram-se outras. Em primeiro lugar os artigos de revistas como a Beira Alta, as monografias locais e os diversos estudos genealógicos que ao longo dos últimos anos têm vindo a ser publicados sobre a região. Em segundo lugar, o arquivo do autor, com originais ou cópias de manuscritos e genealogias diversas que entre outros pertenceram ao bispo D. José António de Mendonça Arrais e à casa das Obras de Seia, ao Dr. José Osório da Gama e Castro, de Nespereira, a João Soares de Albergaria Costa e Faro, de Avô, a Francisco de Tavares da Cunha Cabral, de Nelas, assim como às casas de Girabolhos, de Santa Eulália, da Cioga do Monte, de Lalim, dos Mimosos de Linhares, dos Lobos da Bobadela e dos Botos Machados de Vinhó, entre outras. Por último, mas não menos importante, as muitas participações de amigos e até de pessoas que o autor não conhece e com as quais se correspondeu através da internet. Para estes colaboradores, amáveis e desinteressados, vão os melhores agradecimentos. Para concluir manifesta-se o desejo de que o leitor, para além das questões da genealogia, possa encontrar neste estudo elementos de identificação com esta região e este país, tendo nisso tanto prazer quanto o do autor com a sua divulgação.

Raízes da Beira
Genealogia e Património: da Serra da Estrela ao Vale do Mondego - 2 Volumes
de Eduardo Osório Gonçalves 
ISBN: 9789728876593 Ano de edição ou reimpressão: Editor: Dislivro Idioma: Português Tipo de Produto: Livro Classificação Temática: Livros  >  Livros em Português  >  História  >  Genealogia e Heráldica

Sugestões

Descubra as Suas Origens
10%
portes grátis
10% Cartão Leitor Bertrand
17,90€
A Esfera dos Livros
Dicionário das Famílias Portuguesas
10%
portes grátis
10% Cartão Leitor Bertrand
10,00€
Quetzal Editores
X
O QUE É O CHECKOUT EXPRESSO?


O ‘Checkout Expresso’ utiliza os seus dados habituais (morada e/ou forma de envio, meio de pagamento e dados de faturação) para que a sua compra seja muito mais rápida. Assim, não tem de os indicar de cada vez que fizer uma compra. Em qualquer altura, pode atualizar estes dados na sua ‘Área de Cliente’.

Para que lhe sobre mais tempo para as suas leituras.