Crítica face ao pensamento proibicionista, esta obra pretende, com o reforço da clínica e dos conceitos psicanalíticos, questionar os esforços de condenação moral e de repressão do uso de estupefacientes.
Sobre o fundo de uma dor prévia, ainda por esclarecer, a toxicomania é aqui descrita como um efeito - inesperado e perverso - dos discursos e das medidas que procuram evitá-la e opor-se-lhe. À pretensa psicologia do toxicómano, que estigmatiza e mantém a toxicomania com uma exigência de desintoxocação, a obra opõe uma alternativa: o fornecimento legal e ponderado de drogas, articulado com a oferta de um local de conversação e de elaboração para aqueles que o desejarem.
Para se livrar da toxicomania, será preciso que se perca a ressonância diabólica com que se armam os combatentes da guerra aos estupefacientes.