Quando o cavaleiro português Bartolomeu Freches desembarcou na
Ilha de Tortuga em 1661 não aparentava ser um homem diferente
dos caçadores instalados nessa base das Índias Ocidentais que
formava parte da Hispaniola.
Uma das ilhas mais procuradas pelos piratas da época, tal como era a
Isla de la Juventud pertencente a Cuba, ou a Jamaica, a Tortuga era um
viveiro de aventureiros unidos pelo ódio a Castela.
Como português, Bartolomeu não esquecia o infortúnio que o trouxera
até estas paragens porque também a ele lhe apareciam os castelhanos nos
pensamentos mais sombrios, fazendo parte da sua tragédia pessoal
enquanto cavaleiro da Beira portuguesa.
Foram colonizadores ilegais do território como Bartolomeu que
fizeram o nome da primeira época de ouro da pirataria, o período bucaneiro,
de 1650 a 1680.
"O Código do Bucaneiro Bartolomeu" é um romance clássico de aventura, um objeto raro na literatura portuguesa, que junta numa narrativa profissional os combates de piratas, a resolução de enigmas e a demanda do tesouro, mas tem espaço também para uma consciência ecológica, e para a revelação minuciosa do território interior do Brasil.