Os Gregos descobriram a razão e todo o seu poder, mas não abdicaram do mito. Homero assenta-o como elemento estrutural. Hesíodo alimenta-se dele. Líricos e trágicos são impensáveis sem ele. Filósofos e historiadores, Platão e Heródoto à cabeça, convivem serenamente com ele. O mito está em toda a parte na cultura grega. Antes dos Gregos, as civilizações pré-clássicas viveram intensamente o mito, o Egipto tão intensamente que mal deixou rasto dele nos escritos. Sumérios, Babilónios e Assírios parecem ter moldado no mito a vida toda: fainas agrícolas, magia e adivinhação, medicina e ciência, guerra e paz, orações e culto. Os Hititas fazem figura de parente pobre, serôdio e marginal. E, contudo, não lhes falta grandeza. Nenhum povo do Oriente Antigo preservou como eles a frescura original dos mitos.