No início de Agosto de 1966, García Márquez e Mercedes foram aos
correios enviar o manuscrito terminado de Cem Anos de Solidão para
Buenos Aires. Pareciam dois sobreviventes de uma catástrofe. O embrulho
continha 490 páginas dactilografadas. O funcionário que estava ao balcão
disse: «Oitenta e dois pesos.» García Márquez observou Mercedes a
procurar o dinheiro na carteira. Tinham apenas cinquenta pesos, e só
puderam enviar cerca de metade do livro: García Márquez pediu ao homem
que estava do outro lado do balcão para tirar folhas como se fossem fatias
de toucinho fumado, até os cinquenta pesos serem suficientes. Voltaram
para casa, empenharam o aquecedor, o secador de cabelo e o
liquidificador, regressaram aos correios e enviaram a segunda parte. Ao
saírem dos correios, Mercedes parou e voltou-se para o marido: «Hei,
Gabo, agora só nos faltava que o livro não prestasse.»