Diálogos dos Mortos reúne um conjunto de textos que Fénelon
escreveu para o jovem duque de Borgonha, neto de Luís XIV e
herdeiro do trono de França. Fénelon, que tinha sido nomeado em
1689 seu tutor, ensinou-lhe todas as virtudes de um cristão e de um
príncipe. Nestes engenhosos e criativos textos, nos quais se recuperam
personalidades históricas da antiguidade clássica (Sócrates, Platão,
Alcibíades, Remo, Rómulo, etc.) Fénelon opõe duas figuras antagónicas,
numa espécie de julgamento post-mortem, onde são revistos e avaliados
os actos que ambos praticaram durante a vida. Mais do que uma cartilha
para a educação de um bom governante, pode ver-se nestes diálogos um
protesto contra os que dirigem os povos apenas para os explorar, contra
os hipócritas que tornam miseráveis as nações para servir o seu orgulho
e o seu interesse, contra os que sacrificam as possibilidades de progresso
ao gosto da autoridade e da glória guerreira.